As cidades do sol

É na cidade que o nosso futuro se decide. Já se torna cansativo repetir, porque já se trata de um facto de conhecimento público, que já ultrapassámos a barreira dos 50% de população mundial a residir em centros urbanos, mas acredito que ainda poucos conseguiram digerir a relevância deste número. Uns falam num retorno à cidade, outros dizem que nada há hoje fora da cidade pelo simples motivo de que esta se espraiou pelos subúrbios que dela tentavam fugir, em primeiro lugar, e, em segundo lugar, pelo campo seguindo as vias de comunicação. Em certos casos, primeiro chegou a cidade e só depois as estradas, os comboios e o resto, tal foi a aceleração da urbanização. Em muitos lugares, parecem brotar do nada: umas vezes planeadas no meio do deserto, outras vezes espontâneamente nos morros e encruzilhadas. Uma coisa é certa: a capital do século XXI muito provavelmente ainda não nasceu e os nossos filhos irão aprender uma geografia urbana muito diversa da nossa. E não serão novos nomes que teremos de acrescentar ao atlas, mas também novos conceitos. “Cidade” arrisca-se a se tornar num conceito ultrapassado, que sobreviverá apenas nos manuais de história. Em suma, não se sabe ao certo o que aí vem e que nome irá ter. O que não nos deverá impedir de pensar no onde estamos e quais os passos mais imediatos a tomar.

As vistas a partir daqui, de Portugal, em boa parte não serão muito diferentes das do resto mundo «civilizado». As cidades passaram a ser vistas como um centro imaginário onde confluem os medos e as esperanças mais ou menos declaradas dos cidadãos. A reabilitação das cidades é anunciada como um novo motor da história como se, assim de sobressalto, tivéssemos redescoberto o nosso futuro comum no passado onde habitamos. A cidade histórica assume-se como a expressão máxima da ideia de urbanidade que pretendemos salvaguardar a todo o custo de um futuro incerto.

Também a indústria do ambiente e energia parece ter redescoberto a cidade. Os edifícios passam a obedecer a uma série cada vez maior requisitos ambientais, devidamente certificados. Salvar e produzir energia tornou-se no novo desígnio urbano, assumindo, neste contexto, a energia solar um papel cada vez mais estratégico [veja-se, por exemplo, o caso da Martifer Solar ilustrativo de como a tecnologia local pode ser exportada com sucesso]. O grande desafio será, no futuro próximo, compatibilizar a tecnologia da energia solar, cada vez mais disseminada, com a preservação da identidade das cidades históricas. Não sabemos ao certo até quando seremos capazes de manter e transmitir o testemunho da nossa cultura urbana, não sabemos sequer se algumas das cidades portuguesas virá a ser uma dessas cidades do futuro para as quais ainda não temos nome. Mas, por uma vez, a nossa meridionalidade que nos empurrou para esta crise, também poderá nos garantir o futuro.

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Esta entrada foi publicada em 12. Reabilitação Urbana, Energia solar. ligação permanente.

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