Central Park quer expulsar músicos ambulantes dos seus parques

É uma das mais recentes polémicas em Nova Iorque. O mítico Central Park, em Nova Iorque, palco de tantos filmes e séries de Hollywood, paraíso em plena Manhattan, está a perder os seus muitos músicos que animam os dias de quem por ali passa, fruto das novas medidas adoptadas que impõem zonas de silêncio nos jardins.

Os músicos não aceitam estas novas medidas anunciadas, cujas placas que assinalam as zonas de silêncio estão espalhadas pelos 341 hectares do parque, proibindo o uso de instrumentos musicais e o som amplificado. E as autoridades não facilitam e aquele que ousar tocar e actuar ao vivo é multado.

Nem o som onírico de uma harpa escapa aos ouvidos das autoridades. Aquele que em tempos foi o lugar de muitos concertos ao ar livre e rampa de lançamento de muitos músicos e artistas, arrisca-se hoje a perder esse pedaço de história. Meta Epstein, de 59 anos, harpista que há muito tempo estabeleceu no Central Park, queixa-se que as autoridades não a deixam fazer o seu trabalho, tratando-a como uma ameaça. Depois de anos pacíficos a tocar harpa no sitio de sempre, a policia agora acusa a música de estragar a relva onde se senta, ordenando que se retirasse. “Então e as pessoas todas que jogam à bola? Isto é tudo uma desculpa para nos porem daqui para fora”, queixou-se Epstein à AFP.

Mais à frente, mas não muito longe de Meta Epstein, está um grupo de gospel, cercado por vários artistas curiosos que acompanham cada momento da música. Em cada canto dos jardins existem artistas e músicos, a maior parte deles já conhecidos por quem frequenta os jardins. É quase como se fizessem parte da paisagem. Paisagem que poderá ter os dias contados.

John Boyd, um cantor de 48 anos, insistiu em continuar a actuar no Central Park, nas zonas agora proibidas, tendo sido multado ao longo das últimas duas semanas com coimas entre os 35 e os 250 euros.

“Já fui multado e detido só porque não parei de cantar. A minha vida ficou devastada com isto”, contou à AFP o cantor, explicando que já apresentou em queixa em tribunal.

Os responsáveis pela manutenção e segurança do Central Park explicaram que não têm nada contra os músicos mas apenas não os querem nas zonas de silêncio, altamente sinalizadas.

Entre as zonas onde o barulho não é permitido estão algumas das áreas mais míticas do Central Park, como a área Bethesda Fountain, o Shakespeare Garden, o Sheep Meadow e os Strawberry Fields. Na zona onde está o memorial de John Lennon também não se pode tocar qualquer música.

“Por cada maifestante apoiante da música e do barulho sem limites, existem centenas de visitantes do parque que procuram a paz e a tranquilidade”, explicou Vickie Karp, porta-voz dos parques, acrescentando que os jardins “são dos poucos sítios onde se pode ir e ouvir a natureza (os pássaros, a água a correr, o vento a bater nas folhas, as pessoas a conversarem).”

Para os artistas esta é uma medida extrema, uma vez que há música que também ajuda a descontrair e sabe bem ouvir no parque, não perturbando a paz existente no parque mas contribuindo para ela.

Fonte – Jornal Público

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