Berlusconi cede gestão e direitos de imagem do Coliseu de Roma

O primeiro-ministro italiano anunciou a privatização do mais famoso monumento de Itália, o Coliseu de Roma. O governo de Berlusconi estabeleceu um acordo com Diego della Valle, dono da marca de sapatos Tod’s, no qual o empresário pagará 25 milhões de euros pelas obras de restauro do monumento, beneficiando durante 15 anos prolongáveis dos direitos de imagem do Coliseu.

Em troca do investimento de 25 milhões que custará o restauro do anfiteatro do século I, a empresa de Diego della Valle ficará responsável pela gestão exclusiva do espaço, passando todas as decisões por si e não pelo Estado. A Tod’s passará então a gerir o aluguer do espaço, podendo deixar a sua marca nas entradas do Coliseu de Roma e nos andaimes das obras. A construção de um centro de serviços no próprio Coliseu também é uma possibilidade.

A partir de agora, se alguém desejar utilizar a imagem do Coliseu de Roma terá que pedir permissão e pagar os direitos da imagem à Tod’s. Seja para realizar um filme, uma campanha ou mesmo um anúncio televisivo. Os responsáveis da Volkswagen, que queriam apresentar o novo modelo no teatro romano, já tiveram que contactar os novos responsáveis.

Apesar de a imprensa italiana só agora dar conta do caso, o acordo já foi firmado em Janeiro, mas o seu conteúdo foi mantido em segredo. Na Itália as opiniões dividem-se e a União Nacional de Escritores e Artistas (UIL) já apresentou uma carta ao Tribunal de Contas a pedir explicações sobre o contrato entre o Governo e o empresário, apontando eventuais ilegalidades e lembrando que impedirá pelo menos durante 15 anos o Estado de decidir livremente sobre o uso e a imagem do monumento. O secretário-geral da UIL, Gianfranco Cerasoli, explicou ao jornal italiano “Corriere della Sera” que de acordo com a Constituição o Estado é que é o responsável do anfiteatro e por isso deve decidir livremente sobre o uso da imagem do monumento. “A valorização do acordo é muito baixa, qualquer economista sabe que a operação originará no mínimo 200 milhões de euros”, acrescentou Cerasoli.

Por seu lado, a Tod’s afirma o direito a beneficiar do investimento. “Uma empresa cotada em bolsa que investe 25 milhões de euros para restaurar um monumento deve explicar aos seus accionistas esse comportamento. Seria absurdo que a Tod’s não tivesse os direitos exclusivos enquanto durem as obras”.

Para o presidente da câmara de Roma, Gianni Alemanno, “quem está contra esta acção de privados ou é louco ou é inimigo de Roma”. “Não oferecemos o Coliseu de Roma, apenas a exclusividade do trabalho nele”, explicou Alemanno ao “Corriere della Sera”.

Fonte – Jornal Público

Advertisements
Esta entrada foi publicada em 1. Imprensa, Blogosfera e Web, 12. Reabilitação Urbana, 4. Património e Centros Históricos com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s