Casa da Música ainda marca a “Porto 2001”

Porto Capital Europeia da Cultura 2001 foi há dez anos. A recuperação dos espaços públicos da cidade foi o tema que gerou maior discussão. Porém, a Casa da Música foi a obra mais polémica, pois ficou concluída apenas em 2005 e custou o triplo do previsto.

Concebida para albergar parte dos eventos culturais promovidos pela marca “Porto 2001”, a Casa da Música não chegou a cumprir o seu objectivo primordial. Inaugurado quatro anos depois da data prevista, o projecto nunca acolheu nenhum dos certames da Capital Europeia da Cultura, que arrancou oficialmente há dez anos.

A emblemática Casa da Música, criação de conhecido arquitecto holandês Rem Koolhaas, abriu ao público em 2005, com o fantasma de ter custado cerca de 100 milhões de euros, o triplo do orçamentado em 1999.

Polémica à parte, o presidente de Câmara no período da “Porto 2001”, Nuno Cardoso, elegeu o equipamento como a obra “mais emblemática” do evento. O ex-autarca admitiu à Lusa que a cidade “se perdeu” em tantas obras de requalificação e que não se verificou a deseja “coordenação e capacidade de intervenção”.

“Estou muito associado à enorme dimensão que tudo isto assumiu e à distância, porventura, arrependo-me de termos sido tão ambiciosos, porque sofremos demais, as obras foram exageradas”, considerou.

Quanto ao balanço do evento, uma década depois, Nuno Cardoso guarda na memória o “envolvimento da população, que viveu a cidade e viveu a cultura”. Contudo, deixou algumas farpas à actual gestão camarária, que desaproveitou o potencial cultural da Porto 2001. “Houve uma mudança política na Câmara para alguém que não percebeu o projecto. Mudámos do 80 para o menos oito, passamos para a hostilização dos agentes culturais”, acusou.

O Porto partilhou a designação de Capital Europeia da Cultura com a cidade holandesa de Roterdão. A par da panóplia de eventos, o ano ficou assinalado pelo incumprimento dos prazos.

As obras de requalificação urbana terminaram com um atraso de um ano e custaram menos 12 milhões de euros que o previsto, devido à não concretização das intervenções nas praças da Liberdade, Carlos Alberto e Filipa de Lencastre, nas artérias em redor do hospital de Santo António e parte das ruas Passos Manuel e do Almada.

A rede de eléctrico ficou incompleta e chegou tardiamente ao centro, assim como os “Caminhos do Romântico”, que ainda hoje não detêm rota turística.

A Baixa da Invicta foi a mais visada no investimento. Mais de 44 milhões de euros (sociedade Porto 2001 dispunha de 226 milhões) foram aplicados na renovação daquela zona, onde se destaca a recuperação do Jardim da Cordoaria, da Praça da Batalha e da Praça de D. João I.

O edifício Transparente também causou algum celeuma, devido à falta de projectos para aquele espaço. A nível cultural, a extensa programação deixou uma imagem positiva. A cidade desdobrou-se em vários espectáculos de dança, teatro, música e artes plásticas.

Fonte – Jornal de Notícias

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