Batalha fechou, ficou sem gestão e não tem destino

O Cinema Batalha, no Porto, voltou a fechar. Com “prejuízos mensais avultados”, o Gabinete Comércio Vivo entregou as chaves aos proprietários no último dia do contrato de gestão (31 de Dezembro). A precisar de uma intervenção, o espaço está sem destino.

Volta a ficar em risco o equipamento cuja requalificação custou cerca de um milhão de euros. E cuja factura da renda, desde 2006, já chegou quase aos 300 mil euros.

Foi em Maio de 2006 que o Cinema Batalha, no Porto, reabriu as portas, depois ter estado fechado seis anos. Porém, quatro anos volvidos, o espaço voltou a encerrar, não se sabendo se algum dia abrirá outra vez ou qual será o seu futuro.

Findo o contrato de gestão do espaço a 31 de Dezembro de 2010, o Gabinete Comércio Vivo (pareceria entre a Associação de Comerciantes e a Câmara do Porto) decidiu devolver o Cinema Batalha à empresa proprietária, a Neves & Pascaud.

De acordo com Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto, “os prejuízos mensais avultados”, aliados ao facto do edifício “estar a precisar de algumas intervenções (a cozinha precisa de ser reformulada e o imóvel tem infiltrações)”, sentenciaram um “projecto ruinoso, que não tem viabilidade”.

Aliás, já em Dezembro de 2009, o Gabinete Comércio Vivo admitia abandonar o Batalha, devido a uma gestão “insustentável”. À renda mensal de cinco mil euros, somavam-se ainda despesas com a segurança e com a limpeza.

Nuno Camilo explicou, ao JN, que, no último ano de gestão do “Comércio Vivo”, “houve a preocupação de reduzir os custos em cerca de 50%”, levando a cabo “cortes assustadores”. Mas nem assim foi possível continuar a suportar as despesas.

Seja como for, só uma auditoria, que será apresentada “muito em breve”, garantiu Nuno Camilo, permitirá retratar com exactidão as finanças do Gabinete Comércio Vivo.

Em 2010, as diversas valências do Cinema Batalha – composto por bar, restaurante, sala de espectáculos com 935 lugares, e Sala Bebé com pouco mais de 100 cadeiras – estiveram a trabalhar de forma intermitente.

De acordo com o presidente da Associação de Comerciantes do Porto, “a ocupação foi a mais diversificada”, acontecendo pontualmente com “actividades universitárias, pequenos congressos partidários, exposições e espectáculos de música”.

No entanto, o restaurante estava sem funcionar desde Novembro de 2009, por uma deliberação do “Comércio Vivo”, em consequência de uma inspecção da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) que detectou que o espaço não tinha as licenças necessárias.

Uma das dificuldades para rentabilizar o Cinema Batalha é a obrigatoriedade, imposta pela Câmara do Porto, de manter a sala de espectáculos. A decisão foi tomada, no mandato de Nuno Cardoso, na sequência do encerramento do Batalha. O objectivo foi manter a vocação do imóvel evitando, assim, que os proprietários o alienassem para outros fins.

A exploração do Cinema acabou por ser entregue ao “Comércio Vivo”, criado para gerir cinco milhões de euros, disponibilizados pelo grupo Amorim para compensar os comerciantes pela inclusão de um shopping no Plano de Pormenor das Antas.

A Neves & Pascaud, empresa proprietária do espaço, preferiu não prestar esclarecimentos sobre o assunto.

Fonte – Jornal de Notícias

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