Imaginar o Brasil sem morros

Em Dezembro de 2008, o Governo de Inácio Lula da Silva iniciou o programa de pacificação das favelas. Objectivo: erradicá-las totalmente até 2016, ano dos Jogos Olímpicos. O morro de Santa Marta inaugurou a intervenção.

Primeiro, a polícia militar cercou o morro – ninguém entrava, ninguém saía. Depois, e durante dois meses, houve a “operação de limpeza”. Cinco traficantes mortos, nove detidos, alguns fugidos. “Chovia bala o tempo todo”, lembra Disneylândia Santos, trinta anos nascidos e criados no morro. “Houve gente que perdeu o emprego, porque não podia sair. No Natal a coisa estava preta, mas no Carnaval já havia festa”.

A segurança é uma das principais bandeiras do PT. “Para erradicar essa miséria, que é a chaga do nosso país há anos”, diz José Eduardo Dutra, presidente do partido, “temos de apostar na pacificação, na educação e na continuidade das políticas sociais”. Até José Serra, o candidato da Oposição, parece concordar. O seu programa prevê o reforço e aumento da Bolsa Família (uma espécie de rendimento mínimo garantido criado por Lula), o investimento na escolas e o alargamento dos programas de pacificação a todo o país. “Ganhe quem ganhar, o Brasil vai seguir esse caminho de combate à insegurança”, explicava há dias, ao JN, Emir Sader, politólogo e professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “As diferenças entre os principais candidatos estão mais na gestão económica. Mas vence estas eleições quem melhor conseguir convencer os pobres de que eles vão poder fugir ao estigma da favela”.

Até 2008 eram os bandidos que moravam no alto do morro de Santa Marta. Hoje, o edifício mais elevado chama-se UPP, Unidade de Polícia Pacificadora, e é um castelo de cimento no meio de um mar de madeira e zinco. A major Priscilla Azevedo coordena a estrutura. Dispõe de um efectivo de 117 militares para patrulhar uma área onde vivem oito mil pessoas. “Temos videovigilância e agentes na rua, uns fardados, outros não”. Até agora, a pacificação tem tido sucesso em 11 favelas do Sul da cidade. Resta saber se a paz chegará nos morros mais extensos e, por isso, mais difíceis de “cercar” e de “limpar”. E se o Brasil conseguirá formar polícias suficientes para impor e preservar a paz, antes da cerimónia de abertura das Olimpíadas.

Vejam ainda outra notícia publicada hoje sobre o tema.

Fonte – Jornal de Notícias

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