Novo Museu Guggenheim – Abu Dhabi

Frank Ghery é o autor do próximo museu Guggenheim, a ser erigido em Abu Dhabi. E este será o maior de todos, dos quatro já existentes – nos EUA, na Espanha, na Itália e na Alemanha – e dos dois ainda em projecto, na Lituânia e no México.

Destinado a albergar uma colecção permanente de arte árabe, islâmica e do Médio Oriente, bem como espaços expositivos destinados à arte contemporânea destes países, núcleos de investigação, educação e preservação artística e residências para artistas , o museu ocupará 450 000 metros quadrados e será um dos maiores do mundo.

Para o decano da arquitectura mundial, de origem canadiana mas naturalizado americano, projectar para um país árabe é uma oportunidade única. Com maior liberdade financeira e criativa do que nos EUA ou na Europa, o próximo Guggenheim será mais inventivo. “A paisagem, a oportunidade do programa e do cliente e de construir algo que as pessoas de todo o mundo irão visitar, a par da riqueza de recursos, abriram portas e direcções que não existem noutra parte do mundo”, refere Ghery.

Situado perto do golfo Pérsico , na península de Saadiyat, que integra a ilha de Abu Dhabi – a capital dos Emirados Árabes Unidos -, o edifício procura tirar proveito da localização privilegiada junto à água. Para Ghery, o museu será virtualmente enquadrado na água, rodeado de água por três lados, e com uma paisagem de deserto e uma bela qualidade de luz, própria do lugar.

Assim, e de forma a exponenciar todas estas qualidades, irão ser criadas diferentes formas, que criam relações próprias com a envolvente. À semelhança de um labirinto, diversos corredores e rampas irão dar lugar a espaços ora térreos ora em pisos sobreelevados ou inclusivamente em torres, o que possibilita que galerias e espaços expositivos apresentem diferentes formas e carácter. Esta variedade formal poderá corresponder a uma grande flexibilidade e variedade nas obras de arte a expor, situação que agrada aos comissários das exposições.

Será dado ainda especial destaque aos ateliers de residência de artistas, que Ghery pretende que sejam de grande escala e inspiração industrial, reflectindo os lofts onde muitos dos artistas contemporâneos actualmente trabalham.

Esta polifonia espacial irá contudo surgir como um vórtice a partir de um núcleo, um grande vazio em forma de pátio, uma tipologia comum na arquitectura vernacular do Médio Oriente. Lugar de sombra, recolhimento e abrigo na paisagem agreste do deserto que Ghery reinventou, ao criar uma cobertura especial para o pátio.

O museu irá ainda incorporar conceitos de sustentabilidade e racionalização de utilização de energia e recursos, como ventilação natural passiva e, principalmente, um sistema de arrefecimento passivo baseado nas torres de evaporação. Estas torres, que fazem parte do léxico da arquitectura tradicional do Médio Oriente, funcionam como chaminés invertidas e recorrem aos ventos dominantes para que o ar quente dos espaços adjacentes sejam induzidos torre acima, o que provoca a sua diminuição de temperatura.

Aos 80 anos, Frank Ghery prepara-se para novamente marcar a arquitectura contemporânea, e, quiçá, criar um objecto que irá rivalizar com outra das suas obras maiores, um dos grandes ícones da arquitectura e membro da família da Fundação Guggenheim, o Museu de Bilbau, em Espanha.

Fonte – Diário de Notícias

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