Lisboa: libertar Alcântara da pressão automóvel é a revolução inadiável

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou ontem o Plano de Urbanização de Alcântara, apenas com o voto contra do CDS e a abstenção do PSD.

Para António Costa, “Alcântara vai passar a ser, finalmente, uma parte do miolo da cidade e acabamos com um impasse em que deixámos muitos investidores durante muitos anos”. Porém, trata-se de um plano sem data, porque a autarquia não o pode executar isoladamente. Depende de terceiros, da vontade do Governo e do trabalho da Refer, dos orçamentos de ambos, a que se junta o da câmara, e do beneplácito do Programa de Estabilidade e Crescimento.

É também um plano ambicioso, considerado uma revolução para a freguesia, durante décadas oprimida por diversos factores, ignorada pelos executivos, com imóveis muito degradados, carente de equipamentos, e esventrada a norte e a sul por artérias de incontrolável fluxo automóvel.

A equipa orientada pelo arquitecto Manuel Fernandes de Sá privilegiou uma função distribuidora do trânsito e não canalizadora como até agora. E com a abertura à criação de residências – que será a primeira vertente do plano a avançar -, e de emprego, pretende-se criar uma nova centralidade na zona, que também terá um hospital privado.

Na visão dos autores do projecto, a mobilidade vai variar muito dos actuais moldes. A Linha de Cascais e a Linha de Cintura serão unidas, com uma estação a construir no Bairro do Alvito. A Estação de Alcântara-Mar será enterrada e a de Alcântara-Terra (Leste) reformulada, com interfaces intermodais. Haverá uma ligação em metro ligeiro, que segue do Alvito a Campo de Ourique (Rua de Maria Pia), depois de atravessar as encostas do vale em viaduto (também pedonal e ciclável) e que chega depois à Estrela. Ali encontrará a Linha Vermelha do metro, através da extensão da rede.

Novo acesso à ponte

A fazer a encosta do Alvito, haverá um meio mecânico (talvez um funicular) ligando a Estação do Alvito à Baixa de Alcântara, que voltará a ter uma rotunda, mas que já não levará o trânsito à Ponte 25 de Abril. O actual acesso à ponte ficará para veículos prioritários e transportes públicos, sendo construído um novo ramal na Avenida de Ceuta que contornará a norte a estação de tratamento de águas residuais que está a ser construída. Esse novo ramal vai juntar-se depois ao que vem do Viaduto Duarte Pacheco, pelo que os carros deixam de fazer a inversão de marcha depois de entrar na Avenida de Ceuta. Outra alteração é a abertura de um túnel entre a Avenida de Brasília e a 24 de Julho, pelo que será desmontado o viaduto da Infante Santo.

O chumbo do plano pelo CDS foi justificado por não ter sido ainda encontrada uma solução definitiva para o caneiro de Alcântara e das águas subterrâneas, a que se junta a reconhecida sensibilidade sísmica da zona. A mesma que fez a Direcção Municipal de Ambiente Urbano questionar o enterramento da ferrovia de Alcântara. Porém, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, lembrou que o Laboratório de Engenharia Civil já emitiu a declaração de impacte ambiental.

Outra indefinição – o plano foi concebido com o pressuposto do alargamento do terminal de contentores. Uma realidade que parece mais longínqua dada a revogação do contrato com a Liscont.

O documento segue agora para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, indo depois para consulta pública.

Fonte – Jornal Público

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