A doce tentação de Aveiro já tem selo de qualidade Ovos-moles

Os ovos-moles de Aveiro há muito que são a imagem de marca da cidade da ria e, agora, passaram a ser também o primeiro produto de doçaria a ser certificado em Portugal.

Aviso aos falsificadores de doçaria tradicional: escusam de continuar a tentar produzir ovos-moles de Aveiro. Este doce conventual está já certificado e passou a ser comercializado com uma espécie de “selo de qualidade”. Desta forma, o consumidor passa a ter a garantia de que está a comprar ovos-moles de Aveiro genuínos, ou seja, que cumpriram todas as exigências estipuladas para a confecção deste doce. Portanto, aos falsificadores – leia-se, produtores de doçaria que tentavam vender creme de ovos como se fossem ovos-moles -, não resta alternativa senão desistir.

Ana Soeiro, secretária-geral da Qualifica (Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses), não tem a menor dúvida de que os únicos prejudicados com a certificação “são os falsificadores”. De resto, “todos ficam a ganhar: o país, que vê uma peça do seu património cultural reconhecida; os produtores, que vêem o seu trabalho compensado; e os consumidores, que passam a ter a certeza do que estão a comer”.

Essa certeza é atestada por um selo que começou, agora, a ser afixado nas caixas de ovos-moles. E também ele está imune a falsificações. “O selo tem um código de barras e está numerado, portanto, não dá para falsificar”, alerta Isabel Rosas, da empresa Sagilab, que procede à certificação do doce conventual aveirense. E nem poderia ser de outra maneira, uma vez que isto de ser um produto certificado tem muito que se lhe diga.

O processo já tem dez anos, tempo que levou a tornar uma realidade a ideia de proteger os ovos-moles de Aveiro, com a obtenção da Indicação Geográfica Protegida. Na certeza de que, para conseguirem exibir os certificados nas embalagens de ovos-moles que lançam para o mercado, os produtores têm de se sujeitar a um exigente processo de auditorias.

Regras apertadas

“Os produtores, que só podem ser da região de Aveiro, de Ovar até Mira, são auditados de surpresa. Basicamente, verificamos se o produto está a ser confeccionado de acordo com as especificações. Os ovos têm de ser frescos e da zona geográfica de Aveiro, as formas das hóstias têm de ser aquelas que estão previstas”, exemplifica Cátia Saraiva, técnica da empresa que procede às auditorias.

A verificação parece não trazer quaisquer problemas para quem produz. Pelo menos, é isso que afirma Rui Almeida, gerente da Fabridoce, unidade fabril que produz cerca de 70 toneladas de ovos-moles por ano, conta com 30 funcionários, e garante a distribuição deste doce em superfícies comerciais de todo o país. “Para nós que trabalhamos com hipermercados, essas auditorias já não constituem novidade. Empresas como o Continente e o Pingo Doce visitam-nos umas quatro vezes por ano, também de surpresa”, conta o gerente da Fabridoce, que é um dos mais acérrimos defensores desta certificação. “Além de todas as garantias de qualidade, este selo poderá levar a combater esse receio que muitos consumidores tinham de comprar ovos-moles fora de Aveiro”, argumenta Rui Almeida.

Este produtor também não tem dúvidas de que esta certificação acaba com “esses apetites para adulterar os ovos-moles de Aveiro”. “Existiam casos de produtores que faziam creme de ovos, tipo o creme da bola-de-berlim, e vendiam como ovos-moles. Agora acabou”, acredita.

Nesta fase inicial, o número de confeitarias ou unidades de produção que está já sujeito a este processo ascende já a um total de quinze. A adesão é voluntária, mas Francisco Silva, presidente da Associação de Produtores de Ovos Moles (APOMA), acredita que todos os associados (mais de 30) acabarão por avançar para a certificação. Aliás, esse será o único caminho possível. Só quem apresentar um produto devidamente certificado pode vender o seu doce como sendo ovos-moles de Aveiro. Caso contrário, terão que escolher uma qualquer outra designação.

Noivo do espumante

Para já, o doce que teve a sua origem no Convento de Jesus em Aveiro – e cujos ingredientes não vão além da água, açúcar e gemas – é o único produto de doçaria certificado em Portugal e o primeira doce conventual a alcançar o mesmo estatuto no espaço comunitário.

Assim certificados, os ovos-moles até já têm prometido um “casamento” – a palavra usada foi essa mesma. Basicamente, a ideia passa por “casar” o doce tradicional aveirense com outro ex-líbris da região: o espumante da Bairrada, de preferência “bruto”. O que se pretende é que os dois produtos comecem a aparecer juntos e a serem degustados em simultâneo.

Para os que ousam pensar que a ideia não passa disso mesmo, aqui fica a prova contrária: o “noivado” já foi oficializado. Na altura em que procedeu à entrega dos primeiros “selos de qualidade” dos ovos-moles de Aveiro – cerimónia realizada na passada quarta-feira, na caves Aliança, em Anadia -, a APOMA assegurou o início da relação dos dois produtos. Ficando, desde já, essa certeza: a ideia reúne apoio, especialmente por parte de quem aprecia as duas iguarias. “Louvo esse casamento. É uma relação que resulta muito bem”, assegura Ana Soeiro, com base nos seus vastos conhecimentos sobre os produtos tradicionais portugueses. O presidente da APOMA classifica-a como “uma santa aliança”.

O “namoro”, esse já leva algum tempo e foi apadrinhado pela Câmara de Aveiro. A autarquia optou, no seu protocolo, por substituir o habitual “porto de honra” por um “Aveiro de honra”, que é, nada mais, nada menos, do que a junção desses dois produtos regionais: ovos-moles e espumante.

Fonte – Jornal Público

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