Portugal dos Pequenitos faz 70 anos. E que tal um lifting?

O parque temático mais visitado do país foi inaugurado há sete décadas e está a ficar desactualizado. O i sugere dez novidades.

Casas típicas, faróis, monumentos de todo o país e edifícios das ex-colónias. O Portugal dos Pequenitos mostra o país sob a lente do salazarismo: um Portugal enorme, que se estende do Minho a Timor, mas que cabe todo numas centenas de metros quadrados em Coimbra.

Setenta anos depois da sua inauguração, o país mudou e aquele que é o seu parque temático com mais visitas (400 mil por ano) está desactualizado, parecendo uma Disneylândia do Estado Novo, uma relíquia kitsch retrofascista ou o jardim de um emigrante excêntrico.

O Portugal dos Pequenitos foi uma ideia de Bissaya Barreto, médico amigo de Salazar. O projecto é do arquitecto Cassiano Branco, apoiante da candidatura de Humberto Delgado que chegou a ser preso pela PIDE. Inaugurado em Junho de 1940, cedo se tornou um ponto de passagem obrigatório nos passeios de domingo e visitas de estudo. Sofreu remodelações e acrescentos até ao final dos anos 50, quando ficaram concluídas as miniaturas das províncias ultramarinas.

O país mudou, democratizou-se, aderiu à União Europeia e perdeu uma final do Campeonato da Europa. Durante essas décadas, muitas foram as novidades arquitectónicas que surgiram. A partir delas sugerimos dez para uma nova ala do Portugal dos Pequenitos. Um espaço devidamente forrado a azulejo e protegido do vento graças à maior contribuição portuguesa para a arquitectura mundial: a marquise.

Torres das Amoreiras

As Torres das Amoreiras, construídas nos anos 80, deram visibilidade ao arquitecto Tomás Taveira e ao seu arrojado estilo arquitectónico: pós-modernista, classificam uns; feio, exclamam outros. Marcam a paisagem de Lisboa e alojam um centro comercial que já fez parte dos roteiros de excursões à capital.

A sua forma foi inspirada nos capacetes de guerreiros medievais.

Centro Cultural de Belém

Talvez por ficar tão perto, o Centro Cultural de Belém foi um dos alvos preferidos dos velhos do Restelo aquando da sua construção. Foi planeado para acolher a sede da presidência portuguesa da Comunidade Europeia, mas cedo passou a pólo cultural à beira-rio. Desenhado por Manuel Salgado, abriu as portas em 1993 e acolheu o Museu do Design. Hoje é lá que se pode ver a colecção de arte do comendador, no Museu Berardo.

Ponte Vasco da Gama

É a ponte mais comprida da Europa, mas o recorde mais notável a que está associada é a maior feijoada do mundo. Aquela que é provavelmente a festa de inauguração mais patusca de sempre testou os 17 quilómetros de comprimento, a paciência de centenas de esfomeados e uma embalagem de detergente. A funcionar desde Abril de 1998, foi construída para servir de alternativa à ponte 25 de Abril, sob protesto de vários grupos ambientalistas.

Casa das Histórias

A artista plástica condecorada este fim-de-semana pela rainha de Inglaterra escolheu Cascais para albergar a sua colecção e a do marido, Victor Willing. Paula Rego anunciou em 2006 a construção do edifício onde iria ficar o seu legado, uma obra a cargo do arquitecto Souto Moura. Quando lhe perguntaram o que sentia no dia da inauguração, a pintora respondeu: “Doem-me os pés.”

Casa de Serralves

Se quer mostrar a um familiar ou amigo o que é a arquitectura art déco, onde vai? A Casa de Serralves é a resposta mais acertada. Propriedade da fundação com o mesmo nome, no Porto, a casa foi mandada construir por Carlos Alberto Cabra, o segundo Conde de Vizela, que se mudou para lá em 1940. É um imóvel de interesse público e foi desenhado pelo arquitecto José Marques da Silva, o mesmo da Estação de São Bento.

Nova Aldeia da Luz

A dois quilómetros da aldeia submersa pela barragem do Alqueva, foi construída outra de raiz. Aproveitando algumas partes da original, a Nova Aldeia, como também é conhecida, é uma versão revista e melhorada das típicas povoações do Interior alentejano. Casas baixas pintadas de branco, uma praça de touros, um lavadouro e uma igreja perfazem a nova vida da aldeia desaparecida que pode ser revista no museu.

Estádio Municipal de Braga

O estádio do segundo classificado do campeonato nacional de futebol recebe habitualmente visitas de estudantes de arquitectura. Isso é suficiente para mostrar como a obra de Eduardo Souto Moura se destaca entre todos os estádios construídos para o Euro-2004. O “Financial Times” elegeu o rebaptizado Estádio Axa como um dos quatro campos mais bonitos. Recebeu dois prémios Secil: pela arquitectura e pela engenharia

Casa da Música

A nave espacial de Rem Koolhaas era para ser a coqueluche do Porto durante o ano em que foi Capital Europeia da Cultura. Mas só em 2005, quatro anos depois de terminado o evento, foi finalmente inaugurada. Depois de atrasos e derrapagens financeiras, é indiscutivelmente um dos ícones da Invicta. Está ao nível de outras casas das artes como o Guggenheim de Bilbao e foi descrita pelo crítico de arquitectura do “New York Times” como “o projecto mais atraente que Rem Koolhaas alguma vez construiu”.

Programa Pólis

No nosso país, onde houver uma grande parcela da cidade em obras há um cartaz a anunciar o Programa Polis – e, se tivermos sorte, um relógio a fazer a contagem decrescente até à inauguração. O programa corresponde a uma parceria entre o Estado e as autarquias, com o objectivo de intervir nas cidades para as tornar mais atraentes. Este lifting urbanístico terminou em 2008, mas deixou a sua marca no imaginário popular português.

Freeport Outlet

Watergate seria um complexo de apartamentos e escritórios banal se não fosse o escândalo de corrupção da década de 70 que lhe ficou com o nome. Em Portugal o equivalente é o outlet de Alcochete, superfície comercial que se pode gabar de “boas marcas a bons preços”, mas que fica na memória como nome de um caso de justiça. O polémico outlet esteve nas notícias durante 2009 por causa de escutas e vídeos, mas ainda não chegou ao cinema – nem obrigou à demissão de um governante poderoso.

Fonte – Jornal i

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