Brasil quer partilhar experiências em urbanismo

Apesar de as capitais brasileiras serem ainda as mais desiguais no mundo, o ministro brasileiro das Cidades, Márcio Fortes, afirma não ser uma contradição a vontade de ajudar os países em vias de desenvolvimento, com destaque para Angola.

«Não há nenhuma contradição, nós já temos adiantado a nossa capacitação de equipas técnicas, as empresas brasileiras são ultra qualificadas», disse à Lusa o ministro brasileiro anfitrião do 5º Fórum Urbano Mundial, que decorreu ao longo da passada semana no Rio de Janeiro.

«Se temos um “expertise” e colaboração com outros países, vamos levar a terceiros a oportunidade de resolverem progressivamente os seus problemas», destacou.

Um dos exemplos é a forte relação que o Governo brasileiro mantém com os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Com Angola, Márcio Fortes afirmou ter inserido na agenda de cooperação entre os dois países o intercâmbio de experiências na área de habitação e saneamento.

Ainda não houve um acordo formal, mas as autoridades estão a trocar correspondência e a realizar missões de reconhecimento.

«Enviei funcionários para discutir a regularização fundiária e ver que colaboração poderíamos ter na parte de habitação. Conheci os problemas de Angola e sugeri que pudesse haver um intercâmbio de funcionários», ressaltou.

Ao longo da guerra civil, terminada em 2002, grandes massas de populações deixaram os campos para as cidades.

«Lá o problema não é só habitação e saneamento, é como fazer a regularização fundiária, fazer a administração dos terrenos que são públicos», disse o ministro.

Hoje já se discute a construção de um milhão de casas pelo Governo angolano, «por coincidência aqui no Brasil, o “Minha Casa, Minha Vida” é também de um milhão».

O programa brasileiro para reduzir o défice habitacional é baseado na ação de construtoras. «Temos que ver em cada caso qual é a estrutura que existe no país e se existe um braço financeiro como temos aqui a Caixa Económica Federal.»

Em Moçambique, o Brasil está a contribuir para a formulação do Plano Nacional de Habitação e ainda através de um acordo trilateral com a Itália está a direcionar cerca de três milhões de dólares para obras, desenvolvimento institucional e capacitação técnica.

«O nosso objectivo é ajudar os países mais pobres. Há países que têm uma situação crí­tica e não se trata apenas de falta de habitação», salientou Márcio Fortes.

Durante o Fórum Urbano Mundial, o ministro brasileiro disse ter recebido vários pedidos de cooperação de diferentes países.

«Não quero ensinar, eu também quero aprender, trocar experiências. A pior coisa é dizer que eu vou ensinar alguma coisa, isso é imperialismo», comentou.

Márcio Fortes afirma estar aberto para levar adiante mais propostas de cooperação.

Fonte – Jornal Construir

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