Projectos: Novo teatro em Vila Viçosa – Ópera na Pedra

ng1269679Uma vez por ano, durante o Verão, um festival de ópera promovido pela Universidade de Évora realiza-se no teatro criado na antiga pedreira junto a Vila Viçosa

Em Vila Viçosa, Alentejo, uma pedreira irá dar lugar a um teatro ao ar livre, com projecto da autoria dos arquitectos Pedro Gameiro e Marta Sequeira. O principal objectivo da reconversão da pedreira e criação do teatro ao ar livre é o de uma vez por ano e durante o Verão, um festival de ópera promovido pela Universidade de Évora.

Situada a sudoeste de Vila Viçosa, e pertencente à empresa de extracção de mármores Solubema, a pedreira integra o relevo mais importante da região, a serra D´Ossa, território que corresponde à faixa denominada Anticlinal de Estremoz, onde se encontra a maior jazida de már- mores continental e a maior exploração mineira do país.

“Em resultado destas características, a original topografia da zona foi sendo alterada ao longo dos anos através de enormes crateras criadas pela incessante procura de pedra. São feridas violentamente abertas que contrastam, com especial evidência, com a paisagem envolvente. No entanto, e paradoxalmente, o efeito devastador no território, que muito nos impressiona, é compensado pela possibilidade de utilização destes novos espaços, cuja natureza nos é estranha e cuja escala nos esmaga. São espaços magníficos e grandiosos, originando estruturas espaciais especialmente vocacionadas para acontecimentos cénicos”, explica a dupla de arquitectos.

No sentido do melhor usufruto deste cenário natural, foi criado um teatro que se desenvolve como se fosse um percurso, uma “Promenade” que leva o público “da cota de chegada (no topo da cratera) à cota da plateia (no ponto mais baixo da cratera), isto é, que o leva a descer cerca de 50 metros, vencendo um complexo sistema de bancadas, no que se pretende um verdadeiro percurso arquitectónico”.

Este percurso é marcado por três momentos, que correspondem às três grandes funções da tipologia do Teatro. A da chegada, ou Foyer, que acolhe bilheteira e lojas, seguindo-se a zona de pausa, onde se situa o café , bar e esplanada e , finalmente, a área de espectáculos, que alberga plateia e palco. Os arquitectos descreveram em pormenor estas passagens: “A entrada é feita através de um longo muro que conduz a uma escada desenhada numa espécie de poço iniciático e que liga a cota superior e a intermédia, A esta cota vislumbra-se pela primeira vez o que anteriormente se tinha velado – o grande leito da pedreira e, percorrendo uma galeria resultante do corte de uma das bancadas, acede-se ao bar, cuja configuração permite descobrir o grande lago. Uma escada, formada por um conjunto de lanços que se desenvolvem num sulco que é agora talhado na pedra, leva-nos à cota inferior, onde são colocados uma plateia e um palco, finalizando-se assim o percurso. Este último conjunto está então disposto sobre um novo plano de água e contra as enormes paredes originais que se levantam a 50 metros de altura ampliando, com a sua massa, a potência da voz do tenor”.

Este projecto, inicialmente desenvolvido no âmbito do Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora – dirigido pelo arquitecto João Luús Carrilho da Graça – permite a requalificação ambiental e arquitectónica de uma pedreira, que passará de ferida na paisagem a expoente máximo de arquitectura de espectáculos.

Fonte – Diário de Notícias

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