Sector cultural e criativo produziu em 2006 2,8 por cento da riqueza gerada em Portugal

O “sector cultural e criativo” foi responsável, em 2006, por 2,8 de toda a riqueza criada em Portugal e, nesse mesmo ano, empregou 127 mil pessoas, cerca de 2,6 por cento do total nacional. Estes são os resultados mais surpreendentes do estudo que o Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior encomendou à empresa do ex-ministro da Economia Augusto Mateus.

O documento, intitulado O Sector Cultural e Criativo em Portugal, parece dar razão aos que vêm sublinhando que, mesmo do ponto de vista económico, faz sentido investir na cultura, argumento que tem sido muitas vezes invocado para defender o reforço orçamental da respectiva tutela. Não parece ser necessariamente essa, no entanto, a conclusão que Gabriela Canavilhas retira do documento. A ministra da Cultura, que ontem apresentou em Lisboa os resultados deste estudo, afirmou que ele mostra que o sector cultural “tem possibilidades de ser um motor económico”, mas viu nele também a confirmação de que é necessário “encontrar caminhos que nos reorientem para outras estratégias que não a subsídio-dependência ou a constante dependência do Orçamento do Estado”.

Nas suas conclusões, o estudo sugere que “não se deve privilegiar a oferta”, mas antes “incentivar a captação e educação de públicos”, e deixa um recado aos criadores, propondo-lhes que se habituem “a racionalizar meios e a congregar esforços”.

Outro aspecto destacado é a necessidade de se “acompanhar o ritmo de inovação do sector” e “medir o seu impacto sobre outras actividades económicas”, o que implica a “promoção da qualidade da informação estatística sobre a cultura”. O próprio documento ilustra, de resto, as debilidades existentes neste domínio, uma vez que os dados mais recentes que inclui se reportam a 2006, quando ainda não rebentara a actual crise financeira.

Outro motivo para se avaliar com alguma cautela estes resultados prende-se com as múltiplas actividades que o estudo enquadra no “sector cultural e criativo”: património histórico e cultural, artes do espectáculo, artes visuais, criação literária, música, edição, software educativo e de lazer, cinema e vídeo, rádio e televisão, software em geral, arquitectura, publicidade e design.

“Quando se fala em todas estas componentes culturais, estamos a falar desde a música rock à música pimba ou às telenovelas da TVI, estamos a falar de uma panóplia de contributos culturais”, alertou ontem Gabriela Canavilhas, sublinhando que, por isso mesmo, é preciso “fazer-se uma leitura inteligente destes números”.

Fonte – Jornal Público

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