Elevação do Tejo a Património da Humanidade debatida em conferência em Lisboa

Estudantes, cidadãos e especialistas de várias áreas científicas vão reunir-se amanhõ no Mercado de Santa Clara, em Lisboa, numa conferência destinada a conhecer as potencialidades e vantagens da elevação do Tejo a Património da Humanidade da Unesco.

A iniciativa é promovida pela Escola Profissional Almirante Reis, perto da estação de Santa Apolónia, e pela Associação dos Amigos do Tejo, que está a trabalhar com a associação espanhola Tajo Sostenible num projecto de candidatura transnacional do rio a património mundial, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Segundo o director pedagógico da escola, Joffre Justino, à organização da conferência está subjacente o apoio à campanha, mas numa “lógica de aprendizagem, estudo e debate” que poderá depois resultar, com os alunos disponíveis, num conjunto de actividades de ajuda à concretização do projecto

“Achámos que seria interessante para os alunos perceber a importância do Tejo enquanto património natural e histórico e enquanto elemento de mudança da própria sociedade, quer portuguesa quer espanhola – no fundo, o que podemos ganhar com a existência do Tejo”, explicou.

Joffre Justino sublinhou que a sessão servirá para reforçar a política de ensino do estabelecimento, inserindo os alunos no “ambiente da vizinhança” e motivando-os a partir de experiências práticas.

A conferência, que decorre entre as 14h30 e as 17h30, conta com intervenções do biólogo António Antunes Dias (antigo director de parques naturais), o historiador e museólogo António Nabais, o almirante José Bastos Saldanha (presidente da direcção da Marinha do Tejo) e o presidente da Associação Amigos do Tejo, Carlos Salgado.

Tejo, um rio cheio de argumentos

Manuel Lima, biólogo que viveu sempre perto do Tejo e há décadas que o estuda, considera que o rio é extremamente rico em termos naturais e patrimoniais, tendo todas as condições para se candidatar a património mundial.

A ideia de apresentar à Unesco uma candidatura do rio Tejo a património mundial partiu da Associação dos Amigos do Tejo e da associação espanhola Tajo Sostenible.

Manuel Lima, autor de diversos livros sobre o Tejo, o seu estuário, fauna e flora, afirmou que o rio tem uma mão cheia de argumentos a seu favor. “É o maior rio da Península Ibérica, com cerca de 1070 quilómetros, é o maior estuário da Europa Ocidental e um dos dez maiores do mundo, e é riquíssimo em termos de património natural e cultural”, enumerou. O biólogo sublinha que aqui se encontram “muitas espécies em vias de extinção, sobretudo no médio e alto Tejo, como a cegonha preta, o abutre negro, ou a águia imperial ibérica”.

Manuel Lima considera que é aqui, na Baía do Seixal, que se situa uma das maiores riquezas ornitológicas do rio. “Passam por aqui sobretudo aves migratórias, que no Inverno chegam a números próximos dos 100 mil, como o alfaiate, que é símbolo da Reserva Natural do Estuário do Tejo, mas também pilritos, rolas-do-mar, pernas-vermelhas, pernas-verdes, pernas-longas, muitas espécies de patos”. “Isto é um santuário para as aves, mesmo em termos internacionais. No caso do alfaiate, por exemplo, 60 por cento dos indivíduos da espécie a nível mundial encontra-se aqui no Inverno”, acrescentou.

Embora reconheça que “este Tejo ainda não é aquele que todos desejam ter”, o professor garante que “se percebe que tudo está, de alguma forma, a melhorar”: “A evolução em termos de diminuição da poluição e de aumento da consciência ambiental é muito significativa”, afirmou.

“A maior parte das autarquias ribeirinhas portuguesas, que são 28, bem como as espanholas, estão preocupados com a transformação do rio, depois da forte pressão das grandes indústrias que se instalaram à sua beira no século passado”, acrescentou.

Manuel Lima lembra que “o surgimento de novas espécies no estuário” é a prova de que “o rio está no caminho certo para poder ser classificado como património mundial”: “Ultimamente apareceram aqui colhereiros, muitos flamingos, gansos do Nilo… aves muito raras. E algumas espécies voltaram, como a corvina, o cherne, o choco”.

Para o biólogo, a candidatura do Tejo a património mundial terá ainda a vantagem de sensibilizar e motivar a sociedade, as empresas e os governantes para a importância de respeitar o rio, preservá-lo e promovê-lo. “Ainda não perdi a esperança de ver os golfinhos de volta ao Tejo”.

Fonte – Jornal Público

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