Águia d'Ouro abre em 2012

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Do velho Águia d’Ouro quase só resta a fachada. O palco e a plateia num salão em ruína após 20 anos de abandono, onde mandavam ratos e pombos, foram as últimas estruturas demolidas para permitir a criação do hotel B&B no local do antigo cinema do Porto.

Quem cruza a Rua de Santo Ildefonso não adivinha o espaço livre no interior do quarteirão. Por ali, a empresa Lucios escava o terreno para fazer as fundações do edifí­cio de cinco pisos, que ficará acoplado à fachada a restaurar. Em seis meses, crescerá o esqueleto do edifí­cio, projectado pelos arquitectos Nelson Almeida e Rosário Rodrigues, mas serão precisos dois anos para concluir a intervenção, orçada em 6,7 milhões de euros. Os 125 quartos do hotel “low cost” da cadeia francesa começarão a receber visitantes no primeiro semestre de 2012.

Mais do que valia patrimonial, o Águia d’Ouro é acarinhado por ser peça essencial da memória colectiva da Invicta, como assinala Rosário Rodrigues. Caminhar nas entranhas da sala de espectáculos em total ruína foi um choque. O que o incêndio e o desabamento do telhado do salão não destruíram foi aniquilado por intrusos e por animais. “A maior parte do telhado do salão tinha desabado e os estofos estavam completamente destruídos. Havia ratos e pombos e um cheiro nauseabundo”, continua Nelson Almeida.

Ainda assim, entre os destroços do cinema encerrado em 1989, recuperaram-se suportes de partituras da orquestra (o salão tinha um fosso para a orquestra que acompanhava as fitas de cinema mudo), microfones antigos, bobinas e uma placa comemorativa em homenagem à actriz Ângela Pinto que, em 1930, foi uma das protagonistas na peça Hamlet em cena no palco. Os achados serão expostos no futuro hotel, promovido pelo grupo Endutex.

Projectado jardim interior

Não será uma obra fácil, garante o engenheiro Hélder Gonçalves, olhando para o espaço de estaleiro reduzido ao máximo e para o circuito complexo que os camiões terão de percorrer para levar o material até à Batalha. A envolvente (com construções velhas e estreitas) também merece cuidados redobrados. O desafio agrada aos arquitectos Nelson Almeida e Rosário Rodrigues, que optaram por não ocupar a totalidade do lote. O novo edifí­cio atravessará o centro do terreno, libertando duas zonas de jardim.

“Esta fachada, que é uma remodelação da original, surgiu nos anos 20/30 para dar unidade a dois edifícios. Inicialmente, o Águia d’Ouro ocupava só um lote, mas cresceu ao longo dos anos. Abriu como café-restaurante. Depois, passou a ter um hotel e, mais tarde, juntaram-lhe uma sala de espectáculos”, recorda Rosário Rodrigues, assinalando que existirão quartos voltados para Santo Ildefonso e para o jardim, que terá uma esplanada.

O único piso enterrado oferecerá 25 lugares de estacionamento com acesso a partir da Rua de Entreparedes. No piso da recepção e no piso 1, encontrar-se-ão o bar, a sala de pequenos-almoços e as zonas de estar, televisão e internet e de trabalho. Os quartos distribuem-se pelos cinco andares. “É um hotel para jovens e turistas. Mas também para pessoas que vêm à cidade em trabalho e querem ficar na Baixa num hotel que responde às necessidades básicas com conforto e com preços baixos”, concluiu Rosário Rodrigues, na expectativa de que, ao trazer pessoas exteriores à cidade, o hotel no Águia d’Ouro seja mais um equipamento para revitalizar a zona da Batalha, cuja intervenção urbana no Porto 2001 não “teve a consequência esperada”.

Fonte – Jornal de Notícias

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