Cidades mal planeadas ajudam a prolongar depressões

O local onde as pessoas vivem pode contribuir para a depressão: bairros e prédios mal planeados e sem locais de convívio, sem espaços verdes ou com jardins mal cuidados acabam por potenciar e agravar os sintomas daquele doença. A conclusão é da investigadora Vanda Carreira, que estudou as relações entre arquitectura, urbanismo e aquela doença para a sua tese de mestrado.

“O meu objectivo era perceber como é que o urbanismo influencia a depressão, uma doença considerada a epidemia silenciosa do século XXI”, explica a advogada, que trabalhou alguns anos na área do licenciamento urbano. “Foi complicado, porque não há nada feito nesta área no nosso País, mas cheguei a conclusões interessantes”, conta. Para chegar a essas conclusões a investigadora submeteu 65 pessoas a vários inquéritos, para medir os estados depressivos e a sua relação com o ambiente.

Por exemplo, as pessoas que vivem em edifícios mais altos apresentam sintomas mais graves de depressão, porque viver com muita gente que não se conhece parece gerar uma sensação de isolamento maior, explica. “Só 40% dos entrevistados tinham relações com os vizinhos, mesmo superficiais”, acrescenta.

O estudo apontou também para a importância dos espaços verdes na qualidade de vida e consequentemente como factor de protecção contra a depressão. “Mas quando mal cuidados ou abandonados, estes acabam por ter o e feito contrário e agravar os sintomas”, diz.

A psiquiatra Luísa Figueira lembra que a depressão é causada sempre por vários factores, mas admite que certas características dos locais podem contribuir para a manutenção da doença. “A arquitectura e o urbanismo que não permitem o contacto com os outros , que não favorecem a qualidade de vida, deixam as pessoas desprotegidas”.

A psiquiatra acrescenta que “muitas vezes a mudança de casa, sobretudo depois dos 50 anos, precipita a depressão, sobretudo quando se vivia num bairro com vida própria”. A pessoa perde a rede de relações que foi criando ao longo dos anos, explica – “mesmo que sejam superficiais, acabam por ser importantes”, diz.

Por isso, Vanda Carreira realça a importância de conceber cidades bem planeadas, o que não tem acontecido em Portugal. Essa é uma das principais conclusões da tese, diz: “É preciso alertar as entidades que intervêm no território, câmaras e governo, para o ‘pecado do betão’. As políticas actuais perdem a noção da complexidade dos humanos.”

Fonte: Diário de Notícias

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