Okupas mudam-se para o bairro de Margaret Thatcher

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Belgravia, no centro de Londres, é uma das zonas residenciais mais caras e exclusivas da capital inglesa, a dois passos do Palácio de Buckingham. O preço médio das casas ronda aqui os sete milhões de libras (7,6 milhões de euros), mas facilmente pode atingir os 20 milhões. O multimilionário russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, vive na zona, bem como a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

Mas as senhoras que passeiam os seus terriers pelas ruas do bairro, mais concretamente em Chester Square, vão passar a cruzar-se com novos vizinhos: um grupo de sete “okupas” (em inglês squat), que entraram numa casa de três andares e não pretendem sair tão depressa.

Os novos ocupantes terão entrado no edifí­cio através de uma janela com um fecho partido e dizem que a sua acção é perfeitamente legal. Um dos sete “okupas”, um sul-africano de 29 anos identificado pelo nome de Jake Tag, comentou ao Telegraph: “Este é o local mais exclusivo de Londres. Viver aqui é como um sonho tornado realidade. Vamos manter a casa limpa e arrumada e não iremos causar nenhum estrago. É tudo perfeitamente legal e nós só queremos criar aqui um bonito lar, numa casa que está abandonada”.

“Tanta casa sem gente, tanta gente sem casa”, o lema tantas vezes repetido pelos “okupas”, ganhou aqui uma dimensão de culto: os sem-casa instalaram-se à sombra da alta-roda, como tem vindo a ser cada vez mais frequente na capital britânica.

“Nós deveríamos ser autorizados a usar estas casas. Muitas delas estão vazias e muitas vezes os donos vivem no estrangeiro”, continuou Jake Tag.

Outro dos novos moradores do prédio, Steven, de 54 anos, disse também ao diário britânico: “Há imensa gente nas ruas. O Inverno está a chegar e algumas dessas pessoas irão morrer. Um bom edifí­cio como este deveria estar disponível para acolher essas pessoas.”

Para que não haja dúvidas, na porta da rua, os “okupas” penduraram um cartaz em que se pode ler: “Vivemos nesta propriedade. É a nossa casa e pretendemos cá ficar”.

Um chá com Thatcher

Com Jake Tag vivem outros seis “okupas” – do Nepal, EUA e Roménia –, que partilham agora uma casa com quatro quartos e duas casas de banho. Ainda segundo o Telegraph, que cita os novos ocupantes, o edifí­cio pertence ao sexto duque de Westminster, Gerald Cavendish Grosvenor.

Por enquanto, de má vizinhança não poderão os “okupas” ser acusados. Desde que chegaram, e apercebendo-se da proximidade da residência de Margaret Thatcher, fizeram saber que gostariam de receber a “dama-de-ferro” para um chá. “Não me parece provável que Margaret Thatcher nos venha pedir um pacote de leite, mas queremos que ela saiba que é bem-vinda para uma chávena de chá”, acrescentou Tag. “Não tenho nada de especial para lhe dizer, mas pareceu-me que era a decisão acertada.”

Parece improvável, porém, que a mulher que conduziu os destinos do Reino Unido durante 11 anos (1979-1990), à beira de completar 84 anos e com graves problemas de saúde, aceite o convite.

O realizador Mark James, de 44 anos, que está a produzir um documentário sobre os “okupas”, disse que, quando os novos inquilinos se mudaram para junto da casa de Margaret Thatcher, nenhum membro da sua segurança diplomática, activa 24 horas por dia, deu por nada.

“Tenho a certeza de que residentes da área, como Margaret Thatcher, não ficarão totalmente satisfeitos com os novos vizinhos, mas estas pessoas não vão causar estragos, manterão a casa arrumada e estão lá de forma totalmente legal”, garantiu ainda Mark James.

Legalidade duvidosa

A legalidade desta acção é, porém, duvidosa, uma vez que – apesar de não ter havido entrada forçada – o grupo está a ocupar propriedade privada. Em Portugal, o proprietário de uma casa ocupada pode intimar (sozinho ou com a polícia) os “okupas” a sair. Se as pessoas se recusarem, estarão a cometer o crime previsto no artigo 190º do Código Penal (violação de domicílio ou perturbação da vida privada).

Este grupo de “okupas” já foi anteriormente expulso da embaixada do Sudão, um edifí­cio avaliado em 40 milhões de libras, na zona de Kensington, também em Londres.

No iní­cio deste mês, o grupo The Oubliette ocupou igualmente uma antiga embaixada mexicana na zona de Mayfair, transformando o edifí­cio num centro cultural, galeria de exposições e bar.

De acordo com a AFP, o movimento de ocupar casas vazias está a tornar-se uma tendência com cada vez mais adeptos nos bairros onde mora a elite londrina. Um grupo de “olheiros” faz patrulhas em diversas áreas centrais de Londres para identificar casas vazias. Se, durante três meses, as casas sob vigilância não recebem gente, nessa altura os “okupas” entram no edifí­cio. A tendência actual parece ser ocupar os edifícios da Coroa, geridos pelo Estado, 13 por cento dos quais estão desabitados.

Fonte – Jornal Público

Podem ainda consultar aqui uma reportagem sobre uma família de Okupas Portugueses emitida pela Sic no iní­cio de Janeiro.

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2 respostas a Okupas mudam-se para o bairro de Margaret Thatcher

  1. Quando faço uma citação, seja num texto escrito em papel seja num blogue, costumo identificar a fonte com clareza. Não me limito a escrever um “aqui” indiferenciado.
    Por duas razões igualmente importantes: 1. Não é assim que se cita correctamente. 2. Esse procedimento revela arrogância e falta de respeito pelas pessoas citadas. Por isso, no post em que coloquei o vídeo sobre os okupas (para onde remete o seu “aqui”) identifiquei com clareza o programa de televisão e a estação televisiva autores da reportagem.
    Há algumas diferenças entre citar e aproveitar-se do trabalho alheio.

    • Meu caro,
      Recomenda-se um pouco mais de atenção: a fonte da peça jornalística encontra-se devidamente referenciada através de um link no final da mesma. Por outro lado, o próprio design diferenciado do post (a cinza e com umas inconfundíveis aspas) não permite qualquer margem para dúvidas de que não se trata de um texto da nossa autoria. Também convém esclarecer que não se trata de uma citação mas de uma transcrição integral da peça jornalística, a qual assumimos com toda a clareza.
      Quanto ao resto, parabéns pelo proselitismo e continue a visitar-nos.

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