O contributo da Cultura Popular na Sociedade Contemporânea: algumas notas do caso de Santa Maria da Feira

Cultura Popular no contexto contemporâneo

A Cultura, num mundo globalizado, é o que distingue cada um dos povos e cada uma das sociedades. Cada vez mais os mares encurtam e aproximam os continentes fazendo com que exista uma maior uniformização cultural. Os jeans deixaram de ser uma característica americana, as frutas tropicais nascem em países com condições climatéricas rigorosas, o inglês é a língua oficial da internet e já é possível assistir nas televisões portuguesas aos canais dos países do leste. Contudo, continuamos a falar português, a não conseguir comer as especialidades que se cozinham nos países asiáticos ou a não ter expressão em desportos como o críquete. Todos estes elementos fazem parte da cultura específica de cada povo, de cada sociedade por muito que exista uma globalização e uniformização cultural. Como escreve Kayser as «diferenças fundamentais entre regiões, aldeias, gerações ou grupos sociais são sobretudo diferenças culturais» (Grácia, 2001, pp. 23).

Entre estas características endógenas estão as que fazem parte da Cultura Popular que foi «generada autónomamente por la población no ilustrada y que podemos observar plasmada en la literatura anónima, en los mitos y leyendas, en la arquitectura sin arquitectos, en los refranes, en las canciones y los bailes, en los oficios tradicionales y en una larga serie de manifestaciones denominadas populares» (López, 1999, pp. 136) e que «emanam de uma comunidade cultural fundadas na tradição, expressas por um grupo ou por indivíduos» (UNESCO 25ª Reunião). Mesmo assim é possível «pertencer» à Cultura Popular sendo técnico especializado. É possível um músico com formação académica tocar ou compor música popular. Aliás, actualmente assiste-se a este fenómeno particular. Com a massificação dos produtos e a uniformização do consumo aumenta a procura pelo valor único e pelo que é singular. Ao mesmo nível aumentou a procura pelo turismo rural a que os analistas chamam um «regresso ao passado». De facto, é no interior rural que se mantém com mais vigor, uma vez que os efeitos da globalização sobre as identidades locais, hábitos, tradições, modos de vida menos se fizeram sentir (Cavaco, 1999), e onde a oralidade e as relações familiares e de vizinhança constituem alguns dos traços dominantes (Cristovão, 1998), que as formas tradicionais de cultura: a música, o teatro, o folclore, o artesanato, os jogos populares continuam a desempenhar um papel fundamental e a ser uma referência, nos momentos mais marcantes da vida comunitária (Neves, 2000, pp.12).

José António Neves, na sua tese de mestrado, refere que foram entre 1940 e 1970 que se fizeram mais recolhas e estudos sobre hábitos e tradições locais «no período em que as comunidades rurais não estavam, ainda, sensibilizadas para o valor do seu património local» (Neves, 2000, pp.23-24). Contudo não podemos esquecer que foi neste período que mais se cultivou o gosto pelo rural e se fomentou o culto dos valores nacionais e locais. Vários exemplos poderiam ser dados mas não compete a este ensaio fazê-lo.

Outro exemplo da mistura entre o popular e o global está patente no fenómeno da World Music. As cantigas e instrumentos pertencentes à Cultura Popular integraram bandas que rapidamente se expandiram tornando estes produtos singulares em bens massificados.

Até que ponto uma Cultura Popular globalizado que deixa de ser específica de um determinado contexto continua a ser Popular? Como escreve José Leira López, «la cultura popular no fue nunca exclusivamente tradicional, y quizá la cultura de massas no es únicamente una cultura inducida» (López, 1999, pp. 136).

Por isso, «a “Cultura Popular” é o resultado dinâmico e alterável de um, da intersecção de vários processos de definição social de uma categoria, que é, ao mesmo tempo, analítica, ideológica, política, simbólica, social na acepção mais vasta da palavra» (Silva, 1994, pp. 110-111) e «não podemos esquecer que as culturas populares sempre foram fenómenos abertos, e se influenciaram, reciprocamente, nas suas relações, através da história» (Neves, 2000, pp.11). Desta forma a linha delimitadora entre as realidades local e global é bastante ténue e o contacto entre a cultura popular e a cultura de massas é inevitável e por vezes confundível. Segundo José Leira López as Culturas populares são criativas e a Cultura de Massas é o resultado de uma cultura estrangeira introduzida através dos meios de comunicação nos espectadores passivos. «Las culturas popular y clássica nos conducirian a un processo identitário; mientras que la cultura de masas nos llevaria la multiculturalismo. En definitiva, las culturas popular y clásica nos conducirian a lo nuestro, a la histórico de lo local; mientras que la cultura de masas nos introduciria de lleno en los procesos de globalizacion» (López, 1999, pp. 139-140).

A Cultura Popular garante autenticidade, singularidade e é «genuina y propia de una región» (Salas, 1999, pp. 116) permitindo criar uma identidade social. O indivíduo vê-se reflectido nas manifestações culturais locais. Estes princípios circulam de geração em geração através da tradição oral e contém uma série de traços e características reveladoras de uma sensibilidade que juntamente com outras manifestações da cultura popular podem desempenhar um papel determinante no desenvolvimento rural (Neves, 2000, pp. 22). De facto são estas características endógenas que têm de ser valorizadas para que as comunidades mais fechadas, e que no caso português se situam no interior, possam progredir economicamente. Todavia este argumento é extremamente melindroso e perigoso já que o Capitalismo económico actual é inimigo destes valores autênticos. Presentemente vive-se uma conjuntura de globalização da cultura. Os produtos culturais têm obrigatoriamente de ser bens comerciáveis e atravessar os mares e continentes pelos modernos meios tecnológicos e informativos para serem rentáveis. Hoje é possível ouvir e ver um concerto que decorre no Japão, ouvir um cd-livro, visitar o museu do Louvre através de uma viagem virtual a três dimensões ou mesmo assistir a uma conferência internacional que se realize em qualquer parte do mundo através de videoconferência. Em contrapartida, «las culturas tradicionales de las comunidades concretas están ancladas en un espacio y un tiempo determinados, y sus productos se reproducen en interacciones directas» (López, 1999, pp. 144) e «las nuevas tecnologias han cambiado la concepción del espacio y el tiempo» (Mandianes, 2001, pp. 33) e por isso Cultura popular não está «exenta de influencias» (Salas, 1999, pp. 116).

Com a actual globalização cultural existe uma pressão intensa entre o centro e a periferia. Por centro entende-se a(s) Cultura(s) Ocidental(is) e por periferia os restantes países. Este modelo imposto pelos países ocidentais aos restantes países permite a uniformização do próprio consumo.

Actualmente, como refere Slater, a sociedade identifica-se com a sua própria cultura através do seu consumo. Mccracken considera que os bens de consumo têm um significado cultural para além do seu carácter utilitário e económico. Se existe uma estandardização no consumo e se as sociedades identificam a sua própria cultura através dos consumos tendemos a terminar com a Cultura Popular. Como nos diz Grisa, «O bem-estar proporcionado pelo consumo garante a instauração de uma cultura em que a ética da felicidade, dos prazeres e da fascinação fazem fenecer preceitos morais, proibições e deveres» (GRISA, 2008, p. 67) levando a não existirem razões doutrinais para manter a cultura tradicional e singular de cada sociedade. Mesmo assim, nas últimas décadas, as sociedades/culturas mais desfavorecidas conseguiram impor-se num mundo «consumisticamente» [sic] globalizado. Um exemplo concreto desta situação é referente «etnocosmética» que surgindo «num nicho de mercado alcançou nos últimos anos uma expressão assinalável nos Estados Unidos. (…) Os grandes produtores e retalhistas atentos ao sucesso de pequenas marcas e lojas de bairro pioneiras no «comércio étnico», disponibilizam actualmente cosméticos a pensar nas necessidades específicas das peles negras ou mestiças e nas preferências cromáticas das consumidoras africanas, hispânicas e asiáticas» (Fortuna, 20002, pp.115-116).

Neste paradigma económico e bem explícito no modelo de circulação de bens defendido por Grant McCracken a Cultura insere-se perfeitamente já que “es un sistema relativamente integrado, en el que prácticamente todo está pautado y estructurado. Es una manera de interpretación de la estructura social (…), es una forma de conducta aprendida (…), es simbólica (…), es compartida de una forma diferencial por la diversidad de grupos y categorias presentes en la realidad social (…) e actúa como un mecanismo de adaptaxión que responde a los retos planteados por la sociedad y el entorno fisico» (López, 1999, pp. 137).

Por isso são interessantes as especificidades culturais das sociedades mais periféricas que se tornam globalizadas. Um exemplo actual desse fenómeno é a «paixão» exacerbada pela cultura indiana que atingiu o mundo ocidental. As lojas de roupa inspiram as suas colecções nesta cultura, as telenovelas recriam amores e desamores entre ocidentais e indianas e as nossas casas são decoradas com as bijutarias dessa região. Obviamente apenas é possível esta massificação com a promoção dos meios de comunicação e informação e com o interesse comercial das grandes marcas internacionais.

A Cultura Popular está quase sempre associada à formação de identidade de uma sociedade ou de uma região mas esta «é, com frequência uma realidade mal definida, que engloba tradições e costumes, restos da cultura material pré-moderna, dizeres e saberes locais» (Portugal, 2001, pp. 45). A identidade é aquilo que nos identifica e coloca enquanto seres de uma determinada cultura endógena. Segundo «Berger y Luckmann es un fenómeno que surge de la dialéctica entre el individuo y la sociedad. Los tipos de identidad no es inteligible sino dentro de un contexto social» (López, 1999, pp. 136). É impossível dissociar indivíduo e sociedade quando analisamos a identidade. Obviamente este argumento é um pouco estereotipado já que partimos do pressuposto que todos são «assim» ou têm os mesmos gostos. Estereotipamos que todos os portugueses veneram o Fado, todos os Minhotos dançam o «Vira Minhoto» ou que as mulheres portuguesas são anafadas e têm buço e os homens têm um bigode farfalhudo, gostam de vinho e são abdominosos .

A identidade é muito mais que um conjunto de estereótipos que condicionam a existência social do individuo. «As identidades são o resultado de um processo histórico lento, sempre em mutação, gerador de mecanismos de apropriação/rejeição pela comunidade no seu todo ou por grupos que a compõem» (Portugal, 2001, pp. 49) capaz de possibilitar a criação de elementos que nos ligam à região e «nossa terra», para usar uma expressão tão popular. Esses valores com os quais nos identificamos na nossa cultura fazem parte (também) da nossa Cultura Popular. Aliás, é muitas vezes através da Cultura Popular que se preservam os valores identitários de uma sociedade preservando tradições e rituais que passam de geração em geração.

«A identidade baseia-se numa cultura vivas das pessoas que habitam um território» (Portugal, 2001, pp. 45) e «todo elllo nos llevará a la valoración de lo autóctono, de lo local, en la realidad heterogénea del mundo de hoy». (López, 1999, pp. 136). A identidade é um processo em constante transformação pelos inputs trazidos pelos indivíduos. Da mesma forma a Cultura Popular está em renovação devido a estes mesmos inputs constantemente trazidos pelos novos veneradores desta cultura. Cultura Popular e Identidade andam lado a lado na evolução local e regional confundindo-se muitas vezes os conceitos ainda para mais no mundo actual globalizado em que os valores de referência locais vão-se desvanecendo. Por isso mesmo «a procura obsessiva da identidade por responsáveis políticos, operadores turísticos, definindo-o como aquilo que supostamente nos distingue dos outros e constituindo-a como instrumento de afirmação de uma determinada comunidade ou território» (Portugal, 2001, pp. 45). De forma a valorizar os territórios, o seu património material e principalmente o imaterial, o conceito Identidade é «usado e abusado» nas campanhas publicitárias, nos discursos políticos e nos slogans dos documentos estratégicos.

«Las tradiciones son seres vivos, dinámicos, como la cultura; nacen, crecen y fenecen. A veces se transforman y se perpetuan a sí mismas» (Mandianes, 2001, pp.43). Não podemos cair em tentação de preservar todas as tradições de cultura popular e não permitir que elas, de alguma forma, se mutem. Só permitindo essa mutação podemos alcançar o progresso já que a civilização apenas evolui com contactos culturais e sociais. Só assim podemos encontrar «compañías de teatro que adaptan a Shakespeare a los válores y simbolos actuales, pudiéndonos encontrar com un Romeo ecologista y barbudo, junto a una Julieta licenciada en Filologia y en paro (…) o tal vez nos encontremos com un Hamlet que quizá sea un profesor de Sociologia que investiga sobre el significado de la cultura» (López, 1999, pp. 146).

Processo histórico da Cultura Popular e Tradicional

Em 1972 a UNESCO teve como tema na sua Convenção a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural. Neste convénio a UNESCO e os seus Estados-Membros identificaram que deverão reconhecer a obrigatoriedade de assegurar a identificação, protecção, conservação, valorização e transmissão às gerações vindouras do património cultural e natural situado no seu território. No departamento para a Educação, Ciência e Cultura foi criado um comité intergovernamental para a protecção do património cultural e natural universal denominado Comité do Património Mundial. Para além disso foi constituído um fundo para a protecção do património cultural e natural de valor universal excepcional denominado Fundo do Património Mundial.

Em 1989, a UNESCO na sua conferência geral, colocou em plano de destaque a Cultura Tradicional e Popular. Da reunião saíram uma série de recomendações para serem aplicadas pelos países membros. Os Estados-membros deveriam incrementar pesquisas adequadas com a finalidade de elaborar um inventário nacional de instituições interessadas na cultura tradicional e popular; criar sistemas de identificação e registo; estimular a criação de uma tipologia normatizada da cultura tradicional e popular (comunidade cultural fundadas na tradição, expressas por um grupo ou por indivíduos.

De forma a proceder a uma conservação eficaz da cultura tradicional e popular a Convenção recomendava o estabelecimento de um arquivo nacional central para gestão normativa; a criação de museus e secções de cultura tradicional e popular nos que já existem; o privilégio das formas de apresentar as culturas tradicionais e populares que realçam os testemunhos vivos ou passados destas culturas; formação adequada aos técnicos da área; fornecimento de meios para preparar cópias de segurança e de trabalho de todos os materiais de cultura tradicional e popular.

De forma a preservar e divulgar a cultura popular a UNESCO recomendava ainda a introdução nos programas de ensino do estudo da cultura popular e tradicional; o direito de acesso das diversas comunidades culturais à sua própria cultura tradicional e popular; o estabelecimento de um conselho nacional de cultura tradicional e popular; a prestação de apoio moral e financeiro aos que estudam e fomentam o estudos desta cultura; o fomento da investigação científica sobre a salvaguarda da cultura popular e tradicional. Ainda ao ní­vel da difusão desta Cultura foi recomendado que os Estados-Membros fomentassem a organização de eventos nacionais, regionais e internacionais; estimulassem uma maior difusão desta cultura nos meios de comunicação nacionais e no mundo editorial; estimulassem as regiões, municípios, associações e demais grupos que estão neste sector a criar emprego para técnicos especializados; apoiassem e/ou criassem serviços para a produção de materiais educativos sobre esta cultura; facilitassem a realização de reuniões e intercâmbios dos interessados na cultura tradicional e popular; estimulassem a comunidade científica internacional a adoptar um código de ética em relação às culturas tradicionais.

Outro dos pontos abordos pelo convénio é o da protecção desta cultura que é fundamental para o desenvolvimento e difusão a larga escola deste património imaterial. Para isso é elementar definir e estar atento aos aspectos da protecção intelectual. Para o total sucesso da preservação da cultura tradicional e popular a UNESCO sugeria aos Estados Membros uma cooperação inter-estados (UNESCO 25º Reunião).

Em 1999 a UNESCO criou uma distinção internacional denominada «Proclamação das Obras Primas do Património do Património Oral e Imaterial da Humanidade» de forma a destacar os «exemplos mais notáveis de espaços culturais ou formas de expressão popular e tradicional tais como as línguas, a literatura oral, a música, a dança, os jogos, a mitologia, rituais, costumes, artesanato, arquitectura e outras artes, bem como formas tradicionais de comunicação e informação. Foram realizadas três edições de Proclamações em 2001, 2003 e 2005» (www.unesco.pt).

Em 2003 a UNESCO realizou a Convenção para a Protecção do Património Cultural Imaterial que é em termos práticos um instrumento de protecção do património cultural colocando em prática o manifesto Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural de 1972. Como objectivos a Convenção de 2003 tem a «salvaguarda do património imaterial; o respeito pelo património imaterial das comunidades, dos grupos e dos indivíduos em causa; a sensibilização, a nível local, nacional e internacional, para a importância do património cultural imaterial e do seu conhecimento mútuo; a cooperação e o auxílio internacionais, no quadro de um mundo cada vez mais globalizado, que ameaça uniformizar as culturas do mundo aumentando simultaneamente as desigualdades sociais» (www.unesco.pt).

Ainda neste corrente ano o Instituto dos Museus e da Conservação português criou o Departamento de Património imaterial que tem como função «cooperar com centros de investigação, estabelecimentos de ensino superior, autarquias e particulares com vista ao registo e divulgação dos bens imateriais, bem como estimular estudos e o desenvolvimento de metodologias de investigação para a salvaguarda eficaz do património cultural imaterial» (www.ipmuseus.pt), dando resposta à convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO de 2003 e que entrou em vigor em Portugal, em Agosto de 2008.

Algumas Notas do Caso de Santa Maria da Feira

São Miguel do Souto – Grupo Folclórico “Os Romeiros de Souto”;AJISCE-Associação Jovem de Intervenção Sócio-Cultural e Ecológica;

Espargo – Grupo Cultural e Recreativo “As Andorinhas de Espargo”;

Rio Meão – Rancho Folclórico Recreativo e Cultural “As Florinhas de Rio Meão”; Rancho Folclórico e Etnográfico das Terras de Santa Maria; Grupo Cultural e Recreativo “Os Traquinas de Rio Meão”;

Paços Brandão – CIRAC-Círculo de Recreio, Arte e Cultura de Paços de Brandão;

Nogueira da Regedoura – Rancho Folclórico São Cristóvão de Nogueira da Regedoura;

Mozelos – G.D.C.M.-Grupo de Dinamização Cultural de Mozelos;

São João de Ver – Grupo Folclórico “As Lavradeiras de São João de Vêr”; A.C.D.L.-Associação Cultural e Desportiva da Lavandeira; Grupo Amizade-Tempos Livres e Educação para a Paz;

Santa Maria da Feira – Centro de Cultura e Recreio do Orfeão da Feira; Associação de Estudantes do ISVOUGA; Associação Cultural e Recreativa da Remolha; Comissão de Vigilância do Castelo de Santa Maria da Feira; Associação Danças e Cantares Regionais da Feira; Associação Moto Clube de Santa Maria da Feira “Os Vagabundos do Castelo”; Federação das Colectividades de Cultura e Recreio do Concelho de Santa Maria da Feira;

Mosteiro – Fórum Ambiente e Cidadania;

Arrifana – Rancho Recreativo Estrelas Brancas de Arrifana; JUAT-Núcleo Desportivo, Recreativo e Cultural de Arrifana;

Escapões -Associação Cultural, Recreativa e Desportiva de Escapões;

Lourosa – Grupo Cénico de Lourosa; GRIC-L-Grupo Recreativo de Intervenção Cultural da Lourocoop; Grupo Cultural e Recreativo de Lourosa “Os Corticeiros”; Grupo de Cavaquinhos e Cantares de Lourosa; Centro de Cultura e Recreio “Os Malmequeres de Lourosa”; Associação Aliança Família Cadete;

Argoncilhe – Casa da Gaia; Grupo Musical Estrela de Argoncilhe; Grupo Recreativo e Beneficente “A Flôr de Aldriz”;Rancho Regional de Argoncilhe

Sanguedo – Juventude de Sanguedo; Rancho Folclórico Santa Eulália de Sanguedo;

Caldas de São Jorge – Rancho Folclórico “As Florinhas de Caldas de São Jorge”; Associação Grupo de Danças e Cantares das Margens do Rio Uima;

Pigeiros – Centro de Cultura e Recreio de Pigeiros;

Guisande – Associação Cultural de Guisande “O Despertar”;

Lobão – Rancho Regional da Vila de Lobão; Rancho Folclórico São Tiago de Lobão;

Vale – Grupo Folclórico de Pessegueiro; Rancho Folclórico “As Lavradeiras de Rebordelo”;

O levantamento efectuado das associações foi feito apenas no site da Federação de Colectividades de Santa Maria da Feira, entidade que tem como objecto social: «representar as colectividades de cultura e recreio do concelho de Santa Maria da Feira defendendo as suas aspirações, lutando pela resolução dos seus problemas e carências; promover o associativismo como instrumento de participação cívica, de formação e desenvolvimento local; propor o aproveitamento de espaços livres e de locais para a prática cultural e recreativa; promover as iniciativas de âmbito cultural e recreativo; promover acções de formação dirigidas ao meio associativo, promover iniciativas de intercâmbio entre as associações» (Federação Colectividades Santa Maria da Feira, 2008, pp. 6).

Para além disso, desenvolve actividades que congregam as diversas associações e em muitas delas criam-se sinergias na organização e gestão dos eventos. Neste levantamento apenas constam 43 associações sendo o tecido associativo bem mais extenso. A presença na dinâmica local é bastante forte «na medida em que cerca de 200 associações do concelho desenvolvem inúmeras actividades de âmbito cultural, algumas de forma mais cuidada, outras de forma mais amadora, espicaçando ou activando as consciências locais. A Câmara da Feira tem um Programa de Apoio ao Associativismo Concelhio (PAAC), que fornece assistência financeira ou logística às associações, quer para o seu funcionamento corrente, quer para a organização de eventos culturais, mas que prevê algumas contrapartidas, nomeadamente no que concerne à formação de públicos» (Melo, 2004, pp.92). No plano prático, as associações para obterem financiamento autárquico precisam de apresentar actividades culturais ao longo do ano e é em conformidade com essas actividades que o subsídio é efectivado. Para além disso outros requisitos são necessários. Se por exemplo alguma das associações pretende participar no evento Viagem Medieval em Terra de Santa Maria através da comercialização de bens perecíveis numa taberna, é necessário apresentar um projecto de exploração para além que terá de garantir alguma animação para o evento seja por grupos de animação de rua seja pela criação/gestão de alguma área temática. O que é facto é que a candidatura por uma das vagas atingi todos os anos números recordes o que faz com que aumente gradualmente a qualidade das propostas. Nas palavras do presidente da Federação de Colectividades e pertencente à Comissão de Organização do evento «50% da animação da Viagem Medieval é assegurada por gente do concelho» .

Numa análise mais profunda, que não é competência deste ensaio, poderíamos verificar de que forma estas associações se preparam durante o ano para estas iniciativas. Pelas associações acima registadas, e analisando o nome de cada uma delas, podemos adiantar que 18 têm como objecto de intervenção o folclore e a etnografia. Esta é a área de intervenção mais significativa de todas as associações que fazem parte da Federação de Colectividades. Em toda a região existem muitas associações desta tipologia e como refere Victor Sismeiro «há mais de três dezenas» (Sismeiro, 2009, pp.4) de ranchos folclóricos. De seguida fazem parte da federação de colectividades 14 associações de carácter recreativo e cultural. Ainda fazem parte desta entidade 11 associações com outro género de intervenção.

Bibliografia

– Banha, Rui (1996) «Dinâmicas Associativas em Loures», in III Congresso Português de Sociologia. Celta Editores.

– Cavaco, Carminda (1999) «Desenvolvimento Rural. Desafios e Utopia». Lisboa: Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.

– «Convenção para a Protecção do Património Mundia, Cultural e Natural», in http://www.unesco.pt/cgi-bin/cultura/docs/cul_doc.php?idd=5

– «Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial», in http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001325/132540por.pdf

– Federação de Colectividade de Santa Maria da Feira (2008) «Estatutos da Federação de Colectividades de Cultura e Recreio do Concelho de Santa Maria da Feira», in Cultura e Recreio nº 4. Santa Maria da Feira: Federação de Colectividade de Santa Maria da Feira.

– Fernández, Araceli (1999) «El apero, testimonio histórico-artístico de la Cultura Popular», in Actas do Congresso Cultura Popular. pp. 89-95 Santa Maria da Feira: Publigrifo.

– Fortuna, Carlos (2002), “Cultura, Corpo e Comércio: Tendências socioculturais relacionadas com a estética e o bem-estar”. Lisboa: Observatório do Comércio/GEPE.

– Grácia, Joaquim (2001) «Associativismo Cultural e Poder Autárquico na Região do Douro: o caso do concelho de Alijó». Porto: Humbertipo.

– Grisa, Jairo (2008), «A Semiosfera da Felicidade: Lampejos e Trajetos da Marca Publicitária no Espaço do Comércio Informal». São Leopoldo. Tese disponível em http://bdtd.unisinos.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=678 e consultada no dia 12 de Junho de 2009 pelas 18h.

– Lopes, João e Aibéo, Bárbara (2004) «Os públicos da cultura de Santa Maria da Feira: Resultados preliminares de uma pesquisa», in Actas dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia. pp. 45-54.

– López, José (1999) «De la Cultura Tradicional al Multiculturalismo. Um paradigma social», in Actas do Congresso Cultura Popular. pp. 135-146. Santa Maria da Feira: Publigrifo.

– Mandianes, Manuel (2001) «Tradición Y Nuevas Tecnologias», in livro de Actas do Congresso de Cultura Popular da Galiza e Norte de Portugal. Porto: Delegação Regional da Cultura do Norte. pp. 33-44

– Melo, Sara (2004), «Santa Maria da Feira: A função das artes de rua na definição e projecção de uma política cultural local», in Actas dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia. pp. 87-94.

– Neves, José (2000), «A Cultura Popular com Factor de Desenvolvimento Local: Um olhar a partir da música». Vila Real: Minerva Transmontana.

– Portugal, José (2001), «Saberes e Identidades: A Cultura no Plural», livro de Actas do Congresso de Cultura Popular da Galiza e Norte de Portugal. Porto: Delegação Regional da Cultura do Norte. pp. 45-50.

– «Recomendações sobre a salvaguarda da cultura tradicional e popular: Conferência Geral da UNESCO 25ª Reunião» in http://www.unisc.br/universidade/estrutura_administrativa/nucleos/npu/npu_patrimonio/legislacao/internacional/patr_cultural/recomendacoes/salvaguarda_1989.pdf

– Salas, José (1999) «La arquitectura popular autenticidad y contradicciones», in Actas do Congresso Cultura Popular. pp. 115-134. Santa Maria da Feira: Publigrifo.

– Sismeiro, Victor (2009) «Mudar ou definhar», in Cultura e Recreio nº 5. Santa Maria da Feira: Federação de Colectividade de Santa Maria da Feira.

http://www.ipmuseus.pt

Anúncios
Esta entrada foi publicada em 10. Rubricas, 4. Património e Centros Históricos, 7. Cultura Urbana com as etiquetas . ligação permanente.

3 respostas a O contributo da Cultura Popular na Sociedade Contemporânea: algumas notas do caso de Santa Maria da Feira

  1. O blogue 5ªcidade, que diariamente acompanho, tem desenvolvido um excelente trabalho no âmbito das temáticas cultura urbana e reabilitação.
    Gostei particularmente deste post.
    Cumprimentos

  2. joaquim silva diz:

    Talvez por lapso o autor deste trabalho esqueceu que Fiães também é concelho da Feira, e têm as suas atividades Culturais com as outras freguesias.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s